Portugal mantém elevada confiança nos media, mas cresce o número de pessoas que evitam notícias

Portugal continua entre os países onde os cidadãos mais confiam nas notícias, embora se registe um aumento do número de pessoas que evitam consumir informação, especialmente entre os jovens e as mulheres. A conclusão consta do Digital News Report Portugal 2026, divulgado pelo OberCom – Observatório da Comunicação, em parceria com o Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford.

De acordo com o estudo, 51% dos portugueses afirmam confiar nas notícias em geral, um valor acima da média global de 37%. No entanto, a confiança tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Em 2015, cerca de 66% dos inquiridos declaravam confiar nas notícias, o que representa uma queda de 15 pontos percentuais numa década.

Aumento do afastamento das notícias

A investigadora Ana Pinto Martinho considera particularmente preocupante o aumento do afastamento das notícias. Segundo explicou, 37% dos portugueses afirmam evitar notícias frequentemente ou algumas vezes, uma subida significativa face aos 22% registados em 2017. A tendência é mais acentuada entre os jovens e as mulheres, estando associada sobretudo à fadiga informativa, à saturação e ao excesso de informação disponível diariamente.

O relatório revela ainda que a preocupação com a desinformação atingiu um dos níveis mais elevados dos últimos anos. Para a investigadora, este dado pode refletir uma maior consciência crítica por parte dos cidadãos em relação aos conteúdos que consomem.

Televisão continua a liderar

Apesar da crescente importância das plataformas digitais, a televisão continua a ser a principal fonte de informação para os portugueses. Cerca de 71% dos inquiridos afirmaram ter utilizado este meio para acompanhar notícias na semana anterior ao estudo. Por outro lado, as redes sociais passaram a ser a principal porta de entrada para notícias no ambiente digital, ultrapassando os motores de busca e o acesso direto aos sites dos órgãos de comunicação social.

O estudo destaca também o crescimento da influência dos criadores de conteúdo digital junto dos públicos mais jovens. Contudo, os investigadores consideram que ainda não existe uma substituição do jornalismo tradicional, mas sim uma reorganização do ecossistema informativo. Os dados foram recolhidos entre 6 de Janeiro e 20 de Fevereiro de 2026 e abrangem uma amostra representativa de 2.024 utilizadores de Internet em Portugal.

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